Carolina Maria de Jesus – Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada

Carolina Maria de Jesus - Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada

Carolina Maria de Jesus - Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada

O duro cotidiano dos favelados ganha uma dimensão universal, na linguagem simples do diário de uma catadora de lixo.

Sua primeira edição, de 10 mil exemplares, se esgotou em menos de uma semana. A Livraria Francisco Alves, que publicou o diário depois de muito relutar, mandou rodar mais 90 mil exemplares que, em poucos meses, superou a vendagem do então recordista, Jorge Amado.

Mais do que isto: Carolina era uma favelada negra, semi-analfabeta, e seu trabalho tem causado grande impacto nos meios acadêmicos, até hoje. Carolina Maria de Jesus jamais poderia imaginar o poder explosivo que estava contido em seus diários !

O segredo do livro não estava exatamente sua qualidade, mas em sua originalidade. “Não chegava a ser uma obra literária propriamente dita, mas possuía momentos de grande força descritiva, de criação de imagens”, comenta Audálio Dantas, que deu nome ao livro a partir de uma frase criada por Carolina: “Quando estou na cidade tenho a impressão que estou na sala de visita com seus lustres de cristais, seus tapetes de viludo, almofadas de sitim. E quando estou na favela tenho a impressão que sou um objeto fora de uso, digno de estar num quarto de despejo”. O título “Quarto de despejo”, retratava o modo como a escritora percebia a favela em oposição à cidade:

Talvez a data não seja lembrada pela maioria, mas há 50 anos, numa tarde de abril de 1958, Carolina de Jesus começava a escrever uma nova história para si ao ser descoberta pelo repórter Audálio Dantas, conterrâneo de Graciliano Ramos um dos maiores repórteres do Brasil, premiado pela ONU por sua série de reportagens sobre o Nordeste brasileiro publicadas na extinta Revista Realidade e atual vice-presidente da Associação Brasileira de Imprensa. Audálio foi o responsável pela compilação do diário que Carolina escreveu e em 1960 o lançou como livro, com o título”Quarto de despejo

O livro foi traduzido para cerca de trinta idiomas, vendido em mais de 40 países e merecendo sucessivas reedições com tiragens superiores a 100 mil unidades. Tornou-se um sucesso editorial, sendo traduzido em treze línguas e mais de quarenta países, vendendo cerca de um milhão de cópias em todo o mundo.

Os registros diários de Carolina de Jesus iniciaram-se em 15 de julho de 1955, sendo interrompidos em 28 de julho do mesmo ano e retomados apenas em 2 de maio de 1958. O livro se encerra com um registro feito no dia 1.o. de janeiro de 1960. Mas nem o formato de diário nem a descontinuidade cronológica prejudicam a estrutura narrativa.

Sua obra foi adaptada para teatro, rádio, televisão e cinema, sempre com grande sucesso. Até hoje, apesar de não ser muito conhecida em seu próprio país de origem, é a escritora brasileira mais publicada no Exterior, em particular nos Estados Unidos, sendo superada apenas por Paulo Coelho.

Carolina Maria de Jesus nasceu na cidade de Sacramento, interior de Minas Gerais, a 14 de Março de 1914, cidade onde viveu sua infância e adolescência. Era neta de escravos. Era filha de negros que, provavelmente, migraram do Desemboque para Sacramento quando da mudança da economia da extração de ouro para as atividades agro-pecuárias. Seu pai era tocador de violão e não muito chegado ao batente. Portanto, coube à mãe de Carolina, o sustento da família.

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